O projeto da Ficha
Limpa, prevendo a vedação de nomeação para cargos comissionados de quem tenha
sido condenados em órgãos de colegiado, está sendo finalizado pelo Governo do
Estado para ser enviado a Assembleia Legislativa. A proposta, que foi enviada
ao Executivo como minuta pelo Ministério Público Estadual, foi analisada pela
Consultoria-Geral do Estado e remetida para o Gabinete Civil, onde se encontra,
no momento.
Alex Régis
José Marcelo apresenta o parecer sobre o projeto elaborado pelo Ministério Público estadual
José Marcelo apresenta o parecer sobre o projeto elaborado pelo Ministério Público estadual
O consultor-geral,
José Marcelo Costa, explicou que o princípio da Ficha Limpa a ser proposta pelo
Governo Rosalba Ciarlini é semelhante a que foi validada pelo Supremo Tribunal
Federal no caso dos políticos. Mas há algumas mudanças adequando a situação
peculiar do próprio Estado.
"O Ministério
Público encaminhou a minuta do projeto e o que fizemos foi uma revisão, uma harmonização
para o Governo", disse o consultor-geral. As adaptações contemplaram
redações sobre a competência, as medidas adotadas. No caso da Ficha Limpa
estadual serão abrangidos os cargos comissionados da administração direta. Já
as empresas estatais, como é o caso da Caern, Ceasa, a exigência da Ficha Limpa
é para os dirigentes. "Essas empresas elas têm seus próprios
estatutos", pondera o consultor-geral do Estado.
O projeto do Governo
também não prevê a exigência da Ficha Limpa para os servidores concursados.
"O projeto contempla os servidores com o vínculo em comissão", disse
José Marcelo.
Para ele a proposta
da Ficha Limpa é vista de forma positiva. "Vejo com olhos de forma
positiva essa proposta. Ainda que na prática ela (a Ficha Limpa) já tenha sido
implementada, é importante termos uma regulação, acompanhando ideia,
sentimento, a jurisprudência que trata os cargos públicos e a probidade das
pessoas", completa.
TRÂMITE
Ontem o
consultor-Geral do Estado encaminhou o projeto da Ficha Limpa para a Secretaria
do Gabinete Civil. O secretário titular dessa pasta, José Anselmo Carvalho,
explicou que o trâmite será analisar e se necessitar de alguma diligência
encaminhar para a pasta, caso contrário já é submetido a governadora Rosalba
Ciarlini.
Será da chefe do
Executivo a atribuição para encaminhar o projeto à Assembleia Legislativa. No
modelo de lei complementar, para ser aprovado, o projeto precisa de maioria
absoluta.
A expectativa é saber
se os deputados dispensarão a tramitação e votarão em regime de urgência a
matéria que impõe a Ficha Limpa para os cargos comissionados do Governo
estadual.
STF decide sobre
validade da lei
A Lei da Ficha Limpa
para mandatos eletivos foi julgada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) em fevereiro deste ano, quando também ficou acertado que ela será
aplicada integralmente já nas eleições deste ano para impedir o registro de
candidaturas de políticos com condenação em órgão colegiado. Pela decisão, a
lei de iniciativa popular que contou com o apoio de 1,5 milhão de pessoas
atingirá, inclusive, atos e crimes praticados no passado, antes da sanção da
norma pelo Congresso, em 2010.
A partir das eleições
deste ano, não poderão se candidatar políticos condenados por órgãos judiciais
colegiados por uma série de crimes, como lavagem de dinheiro, formação de
quadrilha e contra o patrimônio público, por improbidade administrativa, por
corrupção eleitoral ou compra de voto, mesmo que ainda possam recorrer da
condenação a instâncias superiores.
Também estarão
impedidos de disputar as eleições aqueles que renunciaram aos seus mandatos
para fugir de processos de cassação por quebra de decoro parlamentar.
A lei barrará também
a candidatura de detentores de cargos na administração pública condenados por
órgão colegiado por terem abusado do poder político ou econômico para se
beneficiar ou beneficiar outras pessoas. Não poderão também se candidatar
aqueles que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos e funções
públicas rejeitadas por irregularidades que configurem ato doloso de
improbidade.
Exigência foi
aprovada em SP
Em São Paulo, já foi
promulgada e entrou em vigor nesta semana uma Lei da Ficha Limpa. Neste caso, a
exigência foi estendida ao funcionalismo público do Estado paulista, depois de
aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa no dia 29 de fevereiro. O
deputado estadual Orlando Morando (PSDB), autor da proposta, exaltou a validade
da lei para aqueles que considerou "bons cabos eleitorais". Segundo
ele, cerca de 2.500 servidores comissionados dos três Poderes do Estado - de
motoristas a secretários - estarão sob exigência da norma.
O deputado destacou
também o pioneirismo da Casa em ser o primeiro Estado a prolongar a aplicação
da Ficha Limpa aos servidores públicos. O próximo passo no que diz respeito à
Ficha Limpa, para Orlando Morando, é conduzir os outros municípios do Estado
para o mesmo caminho. Morando disse estar muito feliz com a aprovação, mas
enfatizou a "sensação de dever cumprido". Enquanto esteve na tribuna,
o deputado dedicou a promulgação aos 94 colegas da Casa que votaram a emenda de
sua autoria.
Projeto de Mossoró
atinge concursados
No caso do projeto
aprovado pela Câmara de Mossoró, de autoria do vereador Lairinho Rosado (PSB),
está proibida a contratação de cargos comissionados de pessoas que tenham
sofrido condenação transitada em julgado ou em segunda instância.
Após aprovação na
Câmara Municipal segue agora para análise da prefeita de Mossoró, Fafá Rosado
(DEM), que terá 15 dias para apreciar a matéria, prazo que começa a contar do
recebimento do projeto.
A Ficha Limpa
proposta pelo parlamentar mossoroense do PSB contempla também cargos em
concurso público. O vereador comemorou a aprovação do projeto observando que a
exigência da ficha limpa, já confirmada pelo Supremo Tribunal Federal no caso
dos candidatos, deve ocorrer também para os cargos comissionados e servidores
aprovados em concurso público.
"No país inteiro
esse projeto tem sido aprovado. Se para ser candidato a cargo eletivo tem que
ter ficha limpa ou fazer concurso, por que não o mesmo para quem for assumir um
cargo comissionado? Fico muito feliz com a decisão dos meus colegas",
disse o vereador.
Câmara aprova regra
para o município
Enquanto o projeto da
Ficha Limpa ainda está sendo finalizado pelo Governo Rosalba Ciarlini, a Câmara
Municipal de Mossoró já aprovou proposta semelhante, de autoria do vereador
Lairinho Rosado (PSB). Já em Natal o projeto, de autoria do vereador George
Câmara (PC do B), terá audiência pública antes de tramitar nas comissões e ser
colocado para votação no plenário.
"Faremos uma
audiência pública, inclusive com participação do MARCCO (Movimento Articulado
de Combate a Corrupção) e OAB, acredito que poderemos logo votar o projeto após
essa discussão", disse o vereador George Câmara.
Ele analisou que é
incoerente um gestor ter sido vetado para disputar uma candidatura devido a
Ficha Limpa e depois conseguir acomodação como cargo comissionado um
profissional ou servidor que não atenda o mesmo critério.
Fonte: Tribuna do Norte
Nenhum comentário:
Postar um comentário