Um dos projetos que
estão programados para cidade, com a finalidade de preparar Natal para receber
cinco jogos da Copa do Mundo de 2014, pode provocar um efeito colateral
devastador ao remo potiguar. A reforma e ampliação do Porto de Natal vem sendo
um grande motivo de preocupação para os dois mais tradicionais clubes do estado
Sport e Náutico Potengy, que podem ver as saídas de suas sedes para o mar
fechada com o prolongamento do cais em mais 30 metros.
Unidos e mobilizados
para salvar a história náutica do RN e impedir que duas entidades com 97 anos
de existência sejam obrigadas a fechar as portas, representantes dos dois
clubes buscam apoio das autoridades atrás da resolução do problema. "O
ideal seria que essa ampliação não ocorresse, mas como se trata de um projeto
federal e é uma obra para Copa do Mundo, essa possibilidade é nula. Então nos
resta apelar para nossa governadora atrás da doação de uma área para que a
gente possa transferir as tarefas náuticas dos dois clubes", afirmou
Renato Jorge, presidente do Centro Náutico Potengy.
Roberto Cabral,
diretor do Náutico, informou que no projeto existente da Codern realmente
consta uma saída dos clubes para o mar, mas não leva em consideração a dinâmica
da área, nem as questões de segurança que devem ser observadas neste caso.
"Essa saída irá desembocar numa área que serve como atracamento para
embarcações e não vai nos atender. Já olhamos umas áreas ao longo do Rio
Potengi que pode abrigar nossa parte náutica e agora depende exclusivamente da
governadora", disse Cabral, ressaltando que os clubes contam com o apoio
do secretário de Esportes do RN, Joacy Bastos. "Joacy foi o único
secretário de Esporte que ajudou o remo, é uma pena que ele tenha tantas
limitações em seu trabalho", frisou.
Atualmente o Centro
Náutico faz um trabalho social junto com jovens e crianças, atendendo 30
atletas. A única receita existente no clube é o resultados das mensalidades
pagas pelos mesmos. No local são atendidos jovens das Rocas, Brasília Teimosa,
Paço da Pátria e de Santos Reis.
Um dos exemplos do
projeto de inclusão social é o caso do remador Luís Felipe dos Santos (Índio),
que através do esporte conseguiu superar os problemas sociais que vivia quando
criança.
"Eu tinha tudo
para ser um jovem rebelde. Mas quando cheguei ao clube recebi um forte apoio do
treinador Carlos Bello Moreno, que me deu condição de estudar, me trabalhou
para ser um cidadão e agora eu só tenho a agradecer", disse.
Luís Felipe hoje é
atleta da seleção brasileira e treina no Botafogo/RJ junto com o colega Emerson
Borges, outro potiguar a integrar o selecionado nacional e que vai tentar uma
vaga para disputar a Olimpíada de Londres, no Pré-olímpico que será realizado
na Argentina. "Acredito que se tivéssemos mais apoio das autoridades
locais, outros atletas poderiam ter a mesma oportunidade que nós estamos
tendo", ressaltou Luís Felipe.
Fonte: Tribuna do Norte

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