A obra de
reestruturação da avenida Engenheiro Roberto Freire ainda nem saiu do projeto
inicial e já causa polêmica. O estudo preliminar, ainda em fase de elaboração,
propõe a construção de uma ciclovia e modificação do calçadão existente no
local. O que não foi explicado ainda, é se as intervenções vão ocupar parte do
Parque das Dunas. O Ministério Público (MP) acompanha a discussão e aguarda a
realização de audiências públicas para discutir o problema.
Ana Silva
Faixa de terra do Parque das Dunas, ao longo da avenida Roberto Freire, deve ser ocupada com novo projeto da obra de mobilidade
Faixa de terra do Parque das Dunas, ao longo da avenida Roberto Freire, deve ser ocupada com novo projeto da obra de mobilidade
A secretaria de
Estado da Infraestrutura (SIN) entregou, essa semana, o projeto de intervenção
da avenida ao Grupo Especial de Acompanhamento das Obras e Atividades da Copa
2014. Segundo Márcio Luiz Diógenes, promotor da 12ª Promotoria de Justiça e
membro do Grupo, antes das máquinas furarem o primeiro buraco na avenida, é
preciso uma série de debates com a sociedade. "A Lei nº 12.587, sancionada
em janeiro deste ano, traz uma série de
diretrizes com relação às obras de mobilidade urbana. A participação popular
na discussão do que deve ser feito nas nossas ruas e avenidas é
essencial", explicou.
O promotor disse
ainda que precisa estudar o projeto apresentado pela SIN com cautela para saber
se algum espaço do Parque das Dunas será mesmo utilizado. "Numa primeira
conversa, informal, os técnicos da SIN disseram que uma faixa de terra seria
usada para construir uma ciclovia. Vamos ver isso com mais atenção",
disse. A titular da SIN, Kátia Pinto, afirmou que não será necessário utilizar
o espaço do Parque. "Não vamos mexer naquela área. O que será usado na
verdade já é ocupado pelo calçadão existente. Vamos fazer uma ciclovia
somente", informou.
A dúvida chama
atenção pela importância do Parque das Dunas para a cidade. A área pertence ao
Estado e parte dela está cedida ao Exército Brasileiro. Até o momento, a SIN
não solicitou nenhuma licença ambiental para a intervenção na Roberto Freire.
Segundo Jamir Fernandes, diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento
Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), o Parque das Dunas
é uma Área de Conservação Ambiental, Proteção Integral e Uso Restrito. Mesmo
assim, existe a possibilidade de uso do local. "Mas para tanto, é
necessário que se faça um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e um Relatório de
Impacto Ambiental (RIMA) para analisar se essa intervenção é mesmo
possível", disse. "A construção de uma ciclovia ou uma passagem de
pedestres, com o mínimo de impacto ambiental, é possível", completou.
Kátia Pinto disse que
a SIN está aguardando que o estudo da obra esteja inteiramente pronto para
convocar a população para as audiências públicas. "Vamos convocar a
sociedade. Esse estudo não está fechado. Vamos debatê-lo". Ainda de acordo
com a secretaria, a obra não prevê a desapropriação de nenhum imóvel na
região.
A nova Engenheiro
Roberto Freire, será uma via expressa de 4 km, com doze pistas - o dobro das
existentes no traçado atual. Incluída na matriz de responsabilidade da Copa
2014, a obra vai custar R$ 220 milhões. Esse valor, definido no Projeto Executivo, é quase quatro vezes
maior que o previsto no projeto básico (R$ 57 milhões). As novas pistas serão
construídas em túneis. "Estou esperando o projeto das desapropriações
ficar pronto. O que posso adiantar é que não haverá desapropriação de imóvel de
particular. O máximo que pode ocorrer são algumas entradas em calçadas",
explicou Kátia.
Para tocar o projeto
da reestruturação da Roberto Freire, a SIN teve que se adequar a algumas
exigências do Ministério das Cidades. Foram incluídos ciclovias e o corredor
exclusivo para ônibus. O que acabou aumentando o número de pistas - antes
estava previsto 10 faixas - e, por
consequência, o aumento do custo.
Fonte: Tribuna do Norte
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