Os ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por unanimidade, confirmar a validade
da Lei Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica. Os
ministros entenderam que a lei não fere o princípio constitucional de
igualdade, e sim o contrário, já que busca proteger as mulheres para garantir
uma cultura de igualdade efetiva, sem violência e sem preconceitos.
A primeira ação
analisada nesta tarde é de autoria da Presidência da República. O pedido era
para que o STF confirmasse a legalidade da Lei Maria da Penha para evitar
interpretações de que ela não trata homens e mulheres de forma igual. A norma
foi editada em 2006, mas ainda há diversos juízes que resistem em aplicá-la. Um
juiz de Minas Gerais chegou a ser afastado do cargo pelo Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) ao chamar a norma de “demoníaca”.
A representante da
União no julgamento, Gracie Fernandes, citou dados que, segundo ela, “espancam,
de uma vez por todas, a tese de que a lei ofende o princípio da igualdade entre
homem e mulher”. Ela revelou que, em 92,9% dos casos de violência doméstica, a
agressão é praticada pelo homem contra a mulher, e que, em 95% dos casos de
violência contra mulher, o agressor é seu companheiro. Segundo a advogada, 6,8
milhões de brasileiras já foram espancadas no ambiente doméstico, com um
episódio de violência registrado a cada cinco segundos.
Os ministros
acompanharam integralmente o voto do relator, Marco Aurélio Mello, para quem a
lei foi um “avanço para uma nova cultura de respeito”.
O voto mais marcante
foi o da ministra Cármen Lúcia, a mais antiga mulher da composição atual do
STF. Fazendo paralelo com sua própria experiência, a ministra disse que ainda
hoje sofre preconceito por ser uma das ministras do Supremo – a outra é a
recém-empossada Rosa Weber. “Acham que juízas desse tribunal não sofrem
preconceito, mas sofrem. Há gente que acha que isso aqui não é lugar de
mulher”.
Os ministros analisam
agora uma ação de inconstitucionalidade da Procuradoria-Geral da República,
também em relação à Lei Maria da Penha. O objetivo que é o Ministério Público
possa denunciar agressores mesmo que as mulheres desistam de fazê-lo.
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