A espera de mais de quase 17 anos para uma real
confirmação de que o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante passaria apenas de um
projeto para a realidade trouxe bastante desconfiança entre os moradores do
município. As impressões, no entanto, estão mudando aos poucos, principalmente
após a recente visita da presidenta Dilma Rousseff, que desceu com o avião
presidencial na pista de pouso do aeroporto, etapa da obra feita sem a
participação da iniciativa privada.
Aos poucos, a esperança vai tomando conta de cada
morador, comerciante e político da região. Oportunidade de empregos, de gerar
renda e mudar de vida preenchem os sonhos de quem acredita que o aeroporto é
uma espécie de "marco zero" na história do município que integra a
Região Metropolitana de Natal e tem pouco mais 87 mil habitantes, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Este número de moradores, que hoje está um tanto
quanto longe de alcançar a casa dos100 mil, deverá ser facilmente acrescido de
dezenas de habitantes frente à expectativa relativa ao novo aeroporto potiguar.
Informações dão conta de que apenas um empreendimento habitacional que deverá
ser construído até 2014, data prevista para início das operações do aeroporto,
receberá 12 mil pessoas.
A região é tratado por Dilma como a nova fronteira
logística da nação e ponto vital no desenvolvimento não só do Rio Grande do
Norte, como de todo o Brasil. Este apontamento vem do histórico de novos
aeroportos, que sempre trazem consigo um grande crescimento populacional no
entorno de onde é construído, em especial nos casos de "aeroporto-cidade",
como é o de São Gonçalo, previsto para ser o terceiro maior do Nordeste após a
sua conclusão, junto com o aeroporto de Fortaleza, no Ceará. O modelo
aeroportuário que será tocado pelo consórcio Inframérica, vencedor do leilão
para construção e administração, prevê uma grande atração de empresas tanto
para a própria área, que possui 15 km², como para toda a região.E na
expectativa de que o progresso chegue o quanto antes em São Gonçalo, já a
partir do início da construção do terminal, anunciado pelo consórcio para o
início de março, o empresário Augusto Justino, mais conhecido como Duda pelos
frequentadores do seu restaurante, um dos maiores da região, e de sua pousada,
única em funcionamento na área, vislumbra crescer. Os planos de expansão das
empresas de Duda são ousados e já se encontram em curso. Quem visitar seu
restaurante, em atividade há mais de 15 anos, ou ficar em um dos apartamentos
da pousada nos próximos dias já poderá ver as mudanças acontecendo. "Irei
duplicar a quantidade de apartamentos, passando de oito para 16. Vou aumentar o
restaurante, cobrir a parte que está faltando e construir uma cozinha
industrial", conta ele, revelando parte de seus investimentos iniciais de
R$ 50 mil, que já foram feitos em parte, pois todo o material para as reformas
e ampliações já estão comprados.
Duda se considera um dos poucos que acreditaram
desde o início que o aeroporto serviria de mudança real para São Gonçalo.
"Acompanho há muito tempo o desenrolar. Vou para todas as reuniões e vejo
que o aeroporto é a redenção de São Gonçalo, diferente do que muitas pessoas
ainda pensam, devido ao tempo que passou para que a obra fosse
confirmada", destaca o empresário.
As mudanças ainda aguardadas por boa parte de São
Gonçalo já vem sendo sentidas por Augusto Justino há algum tempo, pois seu
restaurante forneceu refeições para uma empresa que prestava serviços no
canteiro de obras da construção da pista de pouso do aeroporto. Ele espera, no
entanto, que o crescimento seja ainda maior com o início das obras no terminal.
"Os planos são para triplicar a quantidade de refeições vendidas por dia
ainda neste semestre", revela. Com todo o quadro de empregados morando nas
proximidades, Duda ainda espera poder contratar mais. "Desde o mês passado
estou com mais duas pessoas no restaurante, mas com certeza chamarei mais
funcionários. Em breve, quem vai assumir tudo são meus filhos", diz
Augusto. Dos dois filhos do empresário, um é formado em gestão de empresas e o
segundo está estudando ciências contábeis.
Boom imobiliário
Parte vital no esperado "boom" econômico
dos próximos anos, o setor de construção civil de São Gonçalo ainda aguarda
pelo aeroporto, mas já se mostra em franco crescimento, seja pelo crescimento
das lojas existentes ou a chegada de grandes redes do setor de construção na
cidade. Basta pegar a estrada rumo à sede do município e perceber o sem-número
de loteamentos, conjuntos e residenciais de casas e apartamentos previstos para
serem entregues dentro dos próximos meses. Números da própria prefeitura
demonstram este crescimento habitacional: em 2008 foram emitidos 54 alvarás de
construção, enquanto que em no ano passado foram 4.495. Acompanhando a maré
favorável, uma dos maiores lojas de material de construção do município dobrou
sua área. "Tudo que temos até agora é fruto do comércio local. Nada ainda
nos veio devido ao 'sagrado aeroporto'. Ainda estamos muito parados, falando do
comércio como um todo. Não temos ainda uma associação, por exemplo",
comentou o gerente de vendas Josivan Pinheiro.
Mesmo sem muitas informações sobre o impacto do que
será a inauguração do aeroporto e o que virá de desenvolvimento nos próximos
anos, o gerente aguarda uma explosão comercial nunca antes vista na história de
São Gonçalo. "A perspectiva comercial é muito grande. Esperamos um salto
de 200% nas vendas quando a obra estiver em pleno funcionamento, além da
promessa de que serão utilizados fornecedores locais, apesar de que ainda temos
muitas dúvidas a respeito disto", comentou Josivan Pinheiro. Os planos da
empresa ainda são tímidos, mas com vistas para um futuro próspero.
"Acabamos de fazer uma grande ampliação na loja principal. Até agora, a
programação da empresa é abrir outra loja, até para competir com as novas que
estão chegando, mais próximas do centro da cidade", conta o gerente.
A esperança de dias (e anos) muito melhores, no
entanto, não limita-se ao setor comercial. Pegando literalmente no pesado,
carregando pedras e areia para uma construção na casa da irmã, que mora no
mesmo terreno que ele, o jovem Rosenildo Miranda, 17 anos, sonha com uma
mudança de vida com a chegada das obras de aeroporto. "Tenho uma grande
vontade de fazer um curso, para poder trabalhar na obra. Se aparecer, pode ter
certeza que eu faço", conta ele, mais conhecido entre os familiares e
amigos como Nildo. Morando a pouco mais de 2 quilômetros da atual entrada do
aeroporto, o jovem, que faz "bicos" para completar a renda familiar,
vê no aeroporto a oportunidade de mudança. "De um jeito ou de outro acho
que vai mudar a vida de todo mundo mesmo. Tomara que seja para melhor e eu
possa ajudar minha família trabalhando".
Fonte: O Poti
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