Meu nome é Maurício
Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini,
em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos
do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para
uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e talvez pela entrada do inverno,
resolveu também ir à aula uma daquelas alunas “turista” que aparece uma que
outra vez para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes
tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que
abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de
fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação
que necessitava bastante atenção de todos, toca o celular da menina,
interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o
andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se
objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que
fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam
pessoas que queriam aprender e que o Colégio é um local onde se vai para
estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria
com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina
resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na
frente de colegas. De casa, a mãe da menina ligou para a Escola e falou com o
vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto
Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a
minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria
sido errada. Tampouco procurou a diretora da Escola. Qual passo dado pela mãe?
Polícia Civil! Isso mesmo tive que comparecer no dia 13/07/11 na oitava
delegacia de polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimento por ter
constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta a aula e
quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores. A que
ponto que chegamos? Isso é um desabafo. Tenho 39 anos e resolvi ser professor
porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e
crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é
mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em
situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como
leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à
educação, te peço que dediques umas linhas a respeito da violência contra o
professor.
Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço!
Maurício Girardi
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