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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Caos nos pronto-socorros: OAB-RN aguarda relatório do TCE para acionar TJ


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RN) aguarda um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a quantidade de dinheiro público que financia os hospitais Walfredo Gurgel (Natal) e Tarcísio Maia (Mossoró) para acionar a Justiça pedindo providências com relação ao relatório detalhado sobre duas visitas às unidades hospitalares apresentado essa semana pela Comissão de Direito à Saúde da OAB. Nas visitas, feita no HRTM em 8 de janeiro, e no Clóvis Sarinho em 12 de janeiro, a Ordem constatou diversos problemas, o mais grave deles a existência de pacientes recebendo tratamento ambulatorial quando deveriam receber atendimentos em Unidades de Tratamento Intensivo.

De acordo com o presidente da OAB-RN, o advogado Paulo Eduardo Teixeira, o relatório elaborado pela Comissão da Saúde será encaminhado a vários órgãos, entre eles o próprio TCE e também a Câmara Municipal de Natal, Assembleia Legislativa, Ministério Público, Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) e o próprio Ministério da Saúde. "Primeiro vamos aguardar alguma iniciativa em corrigir essas situações. Se não for tomada nenhuma providência do Estado, o caminho será a Justiça. Temos a capacidade postulatória de pedir ações coletivas. Provavelmente será uma Ação Civil Pública conjunta", explicou.

Com o relatório do TCE, a OAB espera saber quanto, em recursos financeiros, são destinados tanto ao Walfredo Gurgel quanto ao Hospital Regional Tarcísio Maia. "A gente quer saber se essa deficiência nos maiores hospitais do Estado é decorrente da má-aplicação dos recursos públicos. Se for, acionaremos a justiça", prometeu.

Sem vaga na UTI

Enquanto a situação da superlotação e dos recursos no Walfredo não se resolve, aumentam os problemas dos pacientes dentro dos corredores da unidade. Ontem o DN esteve no local e ouviu relatos de pessoas que sofrem, praticamente à míngua, por uma vaga na UTI. O professor José Jomar, de São José de Mipibú, está em coma numa maca após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) anteontem. "Bateram uma tomografia e disseram que foi derrame cerebral. Os neurocirurgiões passam aqui, dizem que é gravíssimo, mas e ai, cadê a vaga na UTI?", questiona a esposa do professor Marineide Costa de Pontes.

Ela contou que o paciente foi levado a uma enfermaria depois de passar horas no corredor, sem ao menos um lençol para cobri-lo. A família não tem condições de pagar a internação em um hospital particular nem plano de saúde para cobrir gastos com a saúde do professor. "Ele começou a sentir tontura, vomitou a tarde inteira. Trouxemos pra cá e o neuro falou que ele ficou com sangue jorrando em quase 90% do cérebro. Estamos esperando exames e que alguma coisa seja feita. Estou desesperada", desabafou ela.

Fonte: Diário de Natal

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